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Peu Araújo e Pedro Graça após vencerem o seu primeiro FIP Silver do ano

Peu Araújo e Pedro Graça na final do FIP Silver, domingo, 13 de setembro | FOTOGRAFIA DAS REDES SOCIAIS DOS JOGADORES
Peu Araújo e Pedro Graça na final do FIP Silver, domingo, 13 de setembro | FOTOGRAFIA DAS REDES SOCIAIS DOS JOGADORES

Peu Araújo e Pedro Graça estão a viver um ano para recordar. Após conquistarem o FIP Bronze da Madeira em fevereiro e repetirem em Portimão em agosto, os portugueses acabam de dar mais um passo nas suas carreiras: no domingo, 13 de setembro, levantaram o seu primeiro título FIP Silver.

Um nasceu em Lisboa e o outro, em Faro. Quase 300 quilómetros separam as suas cidades, mas nada impediu que os seus caminhos se cruzassem na pista. Aí, a amizade transformou-se em pura química competitiva. Ambiciosos, lutadores e com características distintas, mas complementares, encontraram um equilíbrio que os levou a crescer e a serem, atualmente, os número um de Portugal.

Ainda assim, se há uma palavra que define esta dupla é resiliência: depois de roçarem três finais Silver, romperam finalmente essa barreira e somaram o seu terceiro título da temporada. Falámos com eles depois de escreverem outro capítulo dourado na sua história para conhecer os sentimentos e sensações que levam desta vitória.

Pedro Graça: Acho que o primeiro sentimento que me surgiu foi de alívio. Era algo que ambicionávamos há algum tempo e conquistar este título em Portugal, com o estádio cheio e todo do nosso lado, foi muito especial.

Para Peu Araújo, o componente emocional era ainda maior. Jogar em Lisboa, a sua cidade natal, significava fazê-lo perto da sua família, da sua companheira e dos seus amigos mais próximos, uma motivação adicional num torneio que acabou por se tornar um dos mais especiais da sua temporada.

Peu Araújo: A verdade é que este torneio era um pouco mais especial do que os que jogámos até agora, pelo menos para mim, porque se disputava em Lisboa, na minha casa. Além disso, estavam nas bancadas algumas das pessoas mais importantes da minha vida: a minha namorada, a minha família e os meus amigos mais próximos. Eu quero sempre ganhar todos os torneios que jogo, mas neste talvez tivesse uma motivação extra por tudo o que te acabei de contar.

A vitória também não foi fruto da improvisação. Com David Pinto no banco, analisaram os adversários antes de cada jogo e trabalharam tanto os aspetos táticos como a vertente emocional.

Pedro Graça: Apesar de conhecermos bastante bem praticamente todos aqueles que foram os nossos adversárioss, antes de cada jogo sentámo-nos com o David, que analisou mais detalhadamente os nossos oponentes. Planeámos o que tínhamos de fazer em cada jogo, que ameaças iríamos enfrentar e também fizemos alguma preparação emocional.

Peu Araújo: Este torneio marcou o início do meu trabalho com o meu novo treinador, David Pires, e a verdade é que estou muito feliz por ter tomado esta decisão. Considero que o David é um treinador excecional, muito profissional e com uma enorme margem de crescimento. Estou muito contente por ter começado a trabalhar com ele, e creio que isso se refletiu neste torneio. Sinto que foi um dos campeonatos em que melhor preparei cada partida e em que enfrentei a competição de uma forma mais profissional. Grande parte –se não toda– da responsabilidade é do David. Por isso, sim, preparámos muito bem os jogos e agrada-me que tenha dado resultado.

Na final contra o italiano Marco Cassetta e o argentino Fabián Oviedo, disputada a três sets (6-3, 6-7, 6-2), o segundo parcial representou um momento intrincado para a dupla portuguesa: após um tie-break desfavorável, tiveram de recompor-se para enfrentar o set decisivo. Graça assinala, precisamente, o jogo de resposta como uma das chaves para entender como o encontro mudou.

Pedro Graça: Senti que não jogámos bem nos nossos jogos de resposta durante todo o segundo set e que esse era o principal motivo de preocupação. Tínhamos a tática bem definida, mas não estávamos a conseguir executá-la bem. Essa foi a diferença para o terceiro set, onde, sim, subimos o nível nos jogos de resposta.

Nos momentos adversos, o alento que chega da bancada pode converter-se nesse impulso capaz de transformar a mente de quem está em campo e mudar o rumo de uma partida. Para Araújo, o apoio recebido nos torneios disputados em Portugal tornou-se uma fonte de energia para a dupla. Desta vez, ao jogar em Lisboa, esse apoio adquiriu um caráter ainda mais único.

Peu Araújo: Já o disse várias vezes e às vezes temo cair no tópico, mas a verdade é que este ano, cada vez que jogámos em Portugal, o Pedro e eu sentimos um apoio enorme. Jogámos em casa, literalmente, tanto em Lisboa como nas ilhas, no norte, no sul… E mais uma vez, senti que o público nos deu uma motivação extra e nos ajudou muito. Além disso, já joguei em ambientes em que a bancada estava contra mim e sei o efeito que pode ter. Por isso, creio que, sem dúvida, hoje o ambiente nos ajudou.

Além disso, a temporada está a proporcionar-lhes momentos para guardar. Em agosto, Araújo disputou os Jogos do Mediterrâneo, onde, na categoria mista e junto à sua irmã Sofia, conquistou o ouro frente a Marco Cassetta e Giulia Dal Pozzo. Para esta final, o destino quis que Peu e Marco se voltassem a encontrar. Além do respeito desportivo, ambos partilham uma amizade que transcende o campo. E, como confessa Araújo, enfrentar um amigo tem algo de complicado… e de especial.

Peu Araújo: Foi bastante especial. A verdade é que conheço o Cassetta há muito tempo. Já joguei com ele e até já fiquei em sua casa; conheço parte da sua família e é uma pessoa incrível. Por isso, é sempre um pouco complicado enfrentar um amigo, embora, ao mesmo tempo, também seja especial. De facto, uma das coisas que me chamou a atenção foi ver um dos vídeos que depois publicaram nas redes sociais e a forma como ele sorria ao terminar o jogo. Obviamente, não vou dizer que estava contente por ter perdido ou porque eu tivesse ganhado, mas creio que demonstra que é uma pessoa muito positiva e de muito bom humor. Tenho-lhe muito carinho e alegro-me muito por ele.

Com mais um título no seu palmarés, ambos coincidem em que, para o final da temporada, os seus objetivos passam por continuar a crescer, competir ao mais alto nível possível e obter bons resultados em torneios nacionais e internacionais. Entre estes últimos figuram os quadros principais do circuito Premier Padel, assim como possíveis convocatórias para o Mundial.

Pedro Graça: Temos muita vontade de jogar um quadro principal de um torneio Premier, e tenho a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, esse momento chegará. Também estou muito ansioso para, se tudo correr bem, jogar o Mundial. Sempre foi um objetivo pessoal e é uma competição muitíssimo especial por tudo o que representa. Mal posso esperar para representar Portugal na maior competição de seleções do mundo. Quanto ao resto, não sou muito de partilhar o resto dos objetivos em relação a pontos, torneios, ranking e treinos, embora os tenha muito bem delineados.

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