Pretória situa-se no nordeste da África do Sul, na província de Gauteng. Capital executiva do país e conhecida como a Cidade Jacarandá pelos milhares de árvores que a cada primavera tingem as suas ruas de um intenso tom lilás, somará de 26 de julho a 2 de agosto um novo motivo de reconhecimento: acolherá o primeiro torneio de Premier Padel que se celebra em território sul-africano.
Num país onde o râguebi faz parte da identidade nacional, o padel continua a crescer a grande velocidade. Segundo a página oficial do torneio, a África do Sul conta já com mais de 410 000 jogadores amadores e 1 400 pistas. Esse crescimento encontra agora a sua maior montra com a chegada do Pretoria P1, um evento que se destaca não só pela estreia desta cidade no calendário, como também pela alteração de duplas e pelas exigentes condições de jogo existentes.
A altitude e a temperatura marcarão o torneio
Erguida a 1 339 metros acima do nível do mar, a altitude de Pretória perfila-se como um dos principais fatores determinantes do torneio. Convém recordar que, a grandes altitudes, a resistência do ar diminui; o ritmo do encontro acelera consideravelmente; a bola voa, ressalta mais alto e chega ao vidro antes do esperado.
Para minimizar esse efeito, a Bullpadel desenvolveu a Bullpadel Premium Pro High Altitude, uma bola concebida única e exclusivamente para este evento. Com uma pressão inferior à Premium Pro habitual, este modelo procura equilibrar a velocidade das trocas ao abrandar o ritmo do encontro, o que permite aos jogadores ter um maior controlo sobre os seus golpes.
No entanto, a altitude não será o único fator de peso deste torneio. Cabe destacar um contraste climático significativo: do calor intenso de torneios como o de Valladolid ou o de Málaga – com temperaturas próximas dos 40 graus –, os jogadores ter-se-ão de adaptar, em apenas alguns dias, ao inverno austral da África do Sul, com máximas de 22 graus durante o dia e mínimas que descem até aos 10 graus durante a noite.
Embora o evento se celebre em recinto coberto (indoor), o ambiente seco e frio do exterior poderá provocar não só uma maior dificuldade de adaptação por parte dos jogadores, mas também influenciar o comportamento da bola, sobretudo durante os primeiros encontros do dia, quando o recinto ainda não acumulou o calor gerado pelo público e pela competição.
De P2 a P1: mais pontos e maior prize money
Quando a Premier Padel apresentou o calendário de 2026, Pretória figurava inicialmente como um torneio P2, uma categoria que costuma registar numerosas ausências entre os melhores jogadores devido à exigência do calendário. No entanto, a posterior reestruturação do circuito, após o cancelamento do Major de Doha, fez com que esta prova fosse elevada a P1, convertendo-se numa paragem obrigatória para as principais figuras do circuito.
Em consequência, o prize money ascendeu aos 479 068 euros. Quanto à distribuição de pontos, tanto no quadro masculino como no feminino, os campeões obterão 1 000 pontos; os finalistas, 600, os semifinalistas, 360; os quartos-finalistas, 180, e quem alcançar os oitavos de final somará 90 pontos.
A sede da competição será a SunBet Arena, propriedade do grupo Sun International, uma das principais empresas sul-africanas no setor da hotelaria, do casino e do entretenimento. Com capacidade para 8 500 espetadores, o pavilhão multiusos contará com três pistas de competição fabricadas pela Mejor Set e superfície de relva Mondo.

O quadro feminino estreia novas alianças
Para além das condições particulares do torneio, boa parte do foco estará posto no quadro feminino. A grande estreia será a de Claudia Fernández e Martina Calvo, que começam juntas a sua nova etapa em Pretória. A madrilena, de 20 anos, e a promissora navarra, de 18, dão início a um projeto que despertou uma enorme expetativa pelo talento que reúnem e pelo potencial que demonstram em relação ao futuro.
A ausência de Ari Sánchez e Andrea Ustero (devido à lesão desta última, que já tinha impedido a dupla número 3 de disputar o Málaga P1) altera a ordem das cabeças de série e permite que Claudia Fernández e Martina Calvo arranquem o torneio como terceiras favoritas, uma posição acima da prevista inicialmente.
A outra grande novidade será o regresso de Sofia Araújo e Marta Ortega. A portuguesa e a madrilena darão início à terceira etapa das ‘Lupitas’, um projeto que desperta a curiosidade dos adeptos para saber se esta união voltará a dar os seus frutos. Em Pretória arrancam como quartas cabeças de série.
Com novas duplas, condições de jogo muito particulares e um cenário inédito para o padel profissional, a capital sul-africana deixa uma incógnita por resolver: quem levará o primeiro título do Pretoria P1?







